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Filmes
Os filmes são o suporte onde será registrada a imagem fotográfica. São compostos de uma base de material flexível e transparente, podendo ser acetato de celulóide, poliéster, etc., sobre a qual é aplicada uma EMULSÃO composta de gelatina com sais de prata em suspensão. Uma película fotográfica, num corte tranversal ampliado, apresenta as seguintes camadas:
A base, geralmente em poliéster, possui na extremidade uma camada "anti-halo", cuja função é impedir que os raios de luz que atravessam a emulsão e o éster sejam refletidos de volta para a emulsão, provocando halos de luz circular indesejáveis.
Os sais de prata empregados em fotografia são o cloreto, brometo e iodeto daquele metal.
Classificação dos filmes
Os filmes também podem ser classificados de várias maneiras. Aqui, optamos por dar duas espécies de classificação, uma genérica e outra específica. A primeira é uma distinção geral que podemos aplicar a qualquer filme, e a outra é uma distinção quanto a sensibilidade do filme, e que pode ser aplicada a qualquer uma das categorias anteriores.
Quanto ao Resultado que Apresentam:
Negativo / Positivo
Todos os filmes, quer Preto-e-Branco, quer colorido, são compostos de halógenos de prata sensíveis à luz. Isso significa que enegrecem na razão direta da quantidade de luz que recebem, ou seja, Quanto mais luz recebem, mais negros ficam, e, inversamente, se não recebem luz, não enegrecem, permanecendo como são originalmente. Assim, um assunto claro irá enegrecer mais sais de prata que um assunto escuro, pois reflete mais luz que este. Por essa razão é que denominamos de NEGATIVO o filme processado, pois ele apresenta a imagem do assunto de maneira invertida. Os assuntos claros ficam escuros e os escuros se apresentam transparentes. Se for um filme a cores, também estas se mostrarão em suas correspondentes complementares. A função primordial de um filme negativo é possibilitar a tiragem ilimitada de cópias com pouca ou nenhuma perda de qualidade. Mas há algumas outras implicações sobre o filme negativo no que diz respeito à latitude, assunto que veremos logo adiante.
O filme POSITIVO é aquele que sofre um outro tipo de ação química reveladora, e que após processado, já apresenta os valores dos assuntos de maneira positiva. São também chamados filmes reversíveis, ou diapositivos, como por exemplo, os "slides", muito populares nas décadas de 60 e 70 como filmes caseiros que eram projetados na parede. Como já apresentam resultados positivos, não necessitam de cópia ou ampliação, embora se possa fazê-las sem nenhum problema. Mas sua função primordial é servir como matriz de impressão gráfica, pois o filme não passa pelo processo de ampliação, que, a rigor, é uma outra etapa que leva em conta a sensibilidade do papel, bem como sua granulação e contraste, alterando a qualidade original do filme. Quando se quer aproveitar ao máximo a potencialidade nítida do filme, deve-se optar pelo reversível, embora as modernas técnicas de impressão eletrônicas tenham aproximado muito a qualidade do negativo ampliado ao positivo original.
Quanto ao rendimento cromático
a) Filmes branco e preto
Aqui, as imagens e cores são traduzidas em termos de variações de tonalidades, indo desde um branco total a um preto profundo, passando pelas gradações naturais de cinzas. Ao usarmos um filme branco e preto, pode acontecer que dois objetos de cores bem diversas apareçam com valores de cinzas muito próximos entre si, o que contribui para criar confusão visual. Devemos, então, ter cuidados especiais para que tal não aconteça. Um dos recursos que ajudam a resolver este problema na fotografia em branco e preto é o uso dos filtros, assunto que veremos mais adiante.os filmes B/P apresentam grande versatilidade no processamento, podendo este ser facilmente alterado para aumento ou redução de sensibilidade e mudança de contraste.
É claro que devemos, sempre, expor o filme com seu índice ISO correto, a não ser que tenhamos um propósito específico que justifique um desvio do padrão.
Devemos assinalar que os filmes B/P, em sua grande maioria, vão fornecer, ao final do processamento, uma imagem negativa do assunto, destinada a ser copiada ou ampliada em papel fotográfico, onde aquela, por sua vez, se apresentará positiva.
Existem os filmes B/P reversíveis, que, conforme já dito, apresentam, no final do processamento, uma imagem positiva do assunto, ou seja, resultam em "slides" em preto e branco. São pouco usados hoje em dia e têm menos latitude de exposição, isto é, não toleram a não ser pequenos erros.
b) Filmes coloridos
Os filmes coloridos, na verdade, se baseiam no mesmo princípio dos filmes P/B: contêm uma emulsão de sais de prata sensíveis à luz juntamente com pigmentos orgânicos coloridos, distribuídos em três camadas superpostas. Durante o processamento, a imagem de prata é eliminada, restando apenas a imagem CROMÓGENA, isto é, aquela gerada pelos pigmentos.
Quanto ao balanceamento cromático
a) Filmes coloridos
Segundo seu balanceamento cromático, ou seja, de acordo com a fonte de luz para a qual são projetados, os filmes a cores se dividem em duas categorias:
1) os para iluminação tipo luz do dia ou similar, em inglês chamados "daylight films";
2) os para iluminação tipo tungstênio ou similar, em inglês chamados "tungsten films";
Esta diferença é baseada na existência de diversos comprimentos de onda predominantes em cada fonte de luz, e que determinam um valor que conhecemos por TEMPERATURA DE COR. A temperatura de cor é medida em graus KELVIN, e baseia-se na cor que um composto de carbono (como por exemplo, o carvão) adquire conforme sua temperatura calorífica é aumentada. Assim, tomando por base a cor do carvão durante um aquecimento progressivo, paralelamente se usa a mesma escala para determinar a qualidade da cor predominante numa determinada fonte de luz. O gráfico abaixo demonstra as variações de temperatura de cor em diversas fontes:O balanceamento em si parte do princípio de transformar essas variações de comprimentos de onda em uma única, de referência neutra, o branco. É claro que, para que haja precisão no balanceamento, ou seja, para que todas as variações de temperatura possam ser transformadas em uma temperatura uniforme, seria necessário um tipo de filme para cada temperatura. Como isso é comercialmente inviável, optou-se por padronizar duas temperaturas específicas, sendo que as outras ou mantém sua distorção cromática ou são ajustadas através de filtros. Esses dois padrões são o Daylight e o Tungstênio, o primeiro balanceado para fontes de luz a 5500 graus Kelvin e o segundo, a 3200 graus Kelvin.
Os filmes daylight, como o nome indica, são feitos para que as cores saiam corretamente quando se tem iluminação natural, como luz do sol, ou de um dia nublado, ou flash eletrônico ou aqueles flashes mais antigos que usavam lâmpadas azuis. Dizemos que tal filme é BALANCEADO para luz do dia ou similar. Entenda-se luz do dia ou similar como qualquer fonte de luz cuja temperatura de cor seja de 5500 graus Kelvin. Se um filme para luz do dia for usado com lâmpada de tungstênio, haverá um excesso de amarelo nas fotografias, a menos que seja utilizado um filtro azul especial, que elimina o amarelo e devolve â iluminação o balanceamento correto para este tipo de filme. É o filtro denominado 80A.
Os filmes tungstênio são para serem usados com iluminação artificial, especificamente lâmpadas de tungstênio. Esta iluminação é utilizada nos equipamentos denominados de luz contínua. Entenda-se por lâmpada de tungstênio ou similar qualquer fonte de luz cuja temperatura de cor seja de 3200 graus Kelvin. As chamadas lâmpadas "Photoflood" apresentam temperatura de 3400 graus Kelvin. sendo portanto ligeiramente mais azuladas que as lâmpadas de tungstênio.
Se filmes para tungstênio forem usados sob luz do dia ou similar, o resultado será uma predominância de tons azuis, a não ser que seja utilizado um filtro especial, que elimina o excesso de azul e torne a fonte de luz exatamente igual a uma fonte de luz de tungstênio. É o filtro 85B.
b) Filmes Preto-e-Branco
Diferentemente dos filmes coloridos, os filmes P/B não sofrem qualquer tipo de alteração no que diz respeito ao comprimento de onda emitido pela fonte de luz, ou seja, não se alteram segundo a temperatura de cor.
Entretanto, possuem diferenças cromáticas na captação da luz quanto aos comprimentos de onda emitidos pelos objetos, iluminados de qualquer forma. Essas diferenças no balanceamenento P/B são divididas em dois grupos:
1) Filmes Pancromáticos - São os que captam quase todos os comprimentos de onda, transformando todos em graduações de cinza.
2) Filmes Ortocromáticos - São os que tem deficiência na captação de determinados comprimentos, em geral vermelhos e alaranjados, transformando todos os comprimentos de onda de verde e azul em tons de cinza e os demais em preto absoluto.
SENSIBILIDADE
Definimos SENSIBILIDADE como a capacidade que um filme tem para registrar quantitativamente a luz que sobre ele incide numa dada situação. Basicamente, um filme é mais sensível que outro porque possui sais sensíveis maiores dentro de sua emulsão. Portanto, um filme é mais sensível do que outro por conseguir imprimir a mesma imagem num tempo menor. Eis aí porque precisamos de filmes de alta sensibilidade quando vamos fotografar em locais escuros, pois eles têm grande capacidade de reter a pouca luz existente.
Padrões de sensibilidadeNos primórdios da fotografia, cada fotógrafo fazia seus filmes, sensibilizando-os com métodos próprios. Com a evolução natural da linguagem fotográfica, tornou-se necessário racionalizar e uniformizar os diversos métodos de fabricação e processamento.
Surgiram então os padrões de sensibilidade, que aos poucos foram se tornando universais. Hoje em dia, existem dois que são adotados mundialmente: um deles É o ISO (International Standard Organization), que substituiu o americano ASA, e o outro é o DIN, de origem alemã. Os dois se encontram presentes em todas as embalagens de filmes. Geralmente vêm marcados em seguida, separados por uma barra, como p. ex.: ISO 125/22EQUIVALÊNCIA DE SENSIBILIDADE ISO/DIN
ISODIN20142515321640175018641980201002112522
1602320024250253202640027500286402980030100031120032160033200034
A primeira (ISO) é aritmética, isto é, um número que seja o dobro de outro significa um filme com o dobro de sensibilidade. A outra é logarítmica. Isto quer dizer que um filme dobra de sensibilidade ou a corta pela metade, conforme aumentemos ou diminuímos em três unidades.
Podemos então classificar os filmes, a grosso modo, em três grupos, de acordo com sua sensibilidade:ISO162025
BAIXA 3240506480100
MÉDIA 125160200250320400500640800
ALTA 100012001600200024003200
Os filmes P/B, diferentemente dos coloridos, podem ser encontrados nas mais diversas sensibilidades, desde as baixas até as altas.
Além disso, são disponíveis em diversos tamanhos, desde rolos 35 mm até em folhas 20 x 25 cm e outros tamanhos para usos especiais. Os filmes coloridos não partilham de tamanha diversidade por conta de dois fatores que veremos mais adiante: a granulação e a latitude, que por motivos naturais, são dois fatores que incidem diretamente na qualidade da película em relação à sensibilidade, e que se torna mais crítico no uso da cor.
EXPOSIÇÃO
Este é um tópico de importância sumária na fotografia, pois é naquilo que denominamos EXPOSIÇÃO do filme, que encontramos fatores referentes à qualidade da sensibilização de um negativo ou positivo.
Primeiramente, determinaremos os fatores e os métodos convencionais da exposição correta de um filme, e, mais adiante, as referências técnicas que tanto explicam tais métodos como também nos permitem abrir espaços para desviar-nos propositadamente da exposição correta com fins específicos.
A exposição correta de um filme deve levar em conta os seguintes fatores:
1.Tempo de exposição
2. Quantidade de luz
Ambos interagem em função da sensibilidade do filme. Assim, temos uma relação de RECIPROCIDADE entre Obturador (Tempo de Exposição), Diafragma (Quantidade de Luz) e Sensibilidade do filme (ISO). Mas, sendo o obturador e diafragma sempre regulados em função de uma sensibilidade, e sendo eles leituras flexíveis, isto é, podendo se compensar mutuamente, definimos a equação, e temos que:
Exposição = Tempo + Quantidade de LuzA compensação mútua destes dois fatores decorre da escala de ambos ser uma relação de dobro e metade. Assim, se a leitura de um fotômetro (v.adiante) indica uma exposição como sendo obturador= 1/125 e diafragma= 5.6, esta é apenas uma das possibilidades de expor corretamente o filme. Se, para obter maior profundidade de campo, por exemplo, desejo fechar mais o diafragma, para 11, então, fecho dois pontos no diafragma. Se expuser o filme nessas condições, estarei subexpondo o filme, e para que tal não aconteça, devo compensar esta leitura no obturador, deixando entrar a mesma quantidade de luz que foi perdida no diafragma. Devo, portanto, usar 1/30 no tempo de exposição.
Se, ao contrário, minha intenção é congelar um movimento rápido de meu assunto, 1/30 não é, definitivamente, um tempo recomendável. Digamos que eu queira usar 1/500: Neste caso, obtenho a mesma exposição de 1/125 e 5.6 com 1/500 e diafragma 2.8, perdendo profundidade de campo mas possibilitando o congelamento da ação.
Se desejo, entretanto, tanto boa profundidade quanto possibilidade de congelamento, só há duas saídas possíveis: Aumentar a quantidade de luz existente no assunto ou utilizar um filme de maior sensibilidade, arcando com as conseqüências das propriedades sensíveis do filme (granulação, contraste, etc..).
Para se obter bons resultados, entretanto, é fundamental uma boa fotometragem.
Fotometragem
Chamamos fotometragem a um procedimento técnico simples mas essencial, o de medir a luz existente numa dada situação e em função da sensibilidade de um filme. Sem a medição correta da luz, o filme poderá apresentar resultados pouco ou nada satisfatórios, embora na fotografia amadora as câmaras costumem ajustar-se automaticamente às condições de luz segundo suas limitações. Na fotografia profissional, entretanto, o fotógrafo que quiser extrair os melhores resultados de uma emulsão deve tratar a fotometragem como conditio sine Qua non da fotografia, ou seja, sem ela, nada feito.
O fotômetro é um aparelho simples, dotado de uma fotocélula e uma escala de reciprocidade combinatória, onde mede a quantidade de luz e apresenta uma gama de opções passíveis de serem usadas na combinação diafragma/obturador.
Existem dois tipos básicos de fotômetro:
1) Fotômetro de Luz Incidente - São os que medem a luz que INCIDE sobre determinado assunto, não levando em conta os contrastes naturais de luz e sombra do objeto. Devem ter a fotocélula apontada para a câmara.
2) Fotômetro de Luz Refletida - São divididos em dois grupos:
2a) Spot Meter - Medem a luz refletida de um ponto específico, ou seja, devem ser apontados para o assunto, sendo que o fotógrafo deve com ele selecionar o ponto onde deseja medir a luz.
2b) Reflexão geral - São aqueles que em geral vem incorporados às câmaras, pois fazem uma leitura geral da luz refletida de todo o quadro que a lente consegue abranger. São os mais práticos para situações inesperadas, em que o fotógrafo não tem tempo para ajustar o fotômetro de mão.
As determinações de uso de cada fotômetro são exclusivamente pessoais do fotógrafo, pois todos os fotômetros trabalham com um PADRÃO de leitura, o CINZA MÉDIO, que reflete 18% de branco. Assim, todos os fotômetros darão leituras corretas, mas cada uma indicada para um uso diferente.
Características gerais dos filmes
Granulação A velocidade de uma emulsão, isto é, sua sensibilidade, depende de fatores químicos de constituição do filme. Essa constituição química são as partículas de prata propriamente ditas, e que, quando expostas à luz, tendem a formar blocos aglomerados de grãos de prata. A quantidade de grãos implica diretamente na nitidez da película, pois uma menor quantidade significa grãos maiores para preencher todo o espaço do fotograma, ao passo que grãos menores significam grande quantidade de grãos. Assim, as películas mais nítidas são aquelas que possuem grãos menores e em maior quantidade.
Mas em que casos essa diferença atua drasticamente? Em primeiro lugar, na razão de sensibilidade da película. Um filme mais sensível consegue reter uma quantidade de luz em pouco tempo justamente por ter grãos maiores, e o filme menos sensível pelo motivo inverso. Em segundo lugar, na subexposição. Películas expostas incorretamente, com a absorção de uma quantidade menor de luz que a necessária, tendem a apresentar granulação maior, bem como nos processos de alteração da sensibilidade original na revelação, como veremos mais adiante.
As implicações disso são muitas, mas a principal é que as emulsões rápidas, apesar de poderem trabalhar com pouquíssima luz, não são recomendadas para produzirem grandes ampliações, pois terão seus grãos igualmente ampliados ao ponto de tornarem-se visíveis e muitas vezes prejudicando a nitidez da imagem.
A granulação de um filme pode ser alterada se também o forem as condições de exposição, o revelador, a temperatura e o tempo de processamento. Uma classificação possível da granulação de uma emulsão: micro fina, extremamente fina, muito fina, fina, média, moderadamente grossa e grossa. O quadro abaixo nos dá uma visão ampliada de três emulsões diferentes, uma lenta (baixa sensibilidade), uma média e uma rápida (alta sensibilidade):
Um filme de baixa sensibilidade, com grãos menores e maior nitidezUm filme "médio", com boa sensibilidade e nitidez relativa.Um filme rápido. Pelo tamanho de seus grãos, não proporciona grandes ampliações.
Latitude
Na natureza, encontramos objetos que refletem mais ou menos luz; objetos claros assim o são justamente por essa propriedade, e objetos escuros, pelo oposto. Muitas vezes estes objetos estão postos lado a lado, criando um contraste natural. Assim, uma imagem fotográfica qualquer que tenha que lidar com estes contrastes de reflexão luminosa, estará sujeita a superexpor os mais claros ou sub-expor os mais escuros. Mas, dependendo da escolha correta da velocidade de exposição e diafragma, estes contrastes podem, ambos, sair nítidos e perfeitamente visíveis numa foto.
Chama-se LATITUDE a esta propriedade do filme de registrar corretamente as diferenças entre luz e sombra de um assunto determinado.Todo o filme possui uma escala de valor, medida através de um gráfico, a que chamamos "Curva Característica", e que representa justamente a quantidade de contraste que o filme tolera. Ela se apresenta da seguinte maneira:
O gráfico apresenta um eixo vertical com valores de densidade e um eixo horizontal com valores de tempo de exposição. Portanto, à medida que decorre o tempo, mais denso fica o negativo. A base da faixa "A" é o que chamamos "Valor-soleira", ou seja, o valor de exposição mínimo de um filme para que ele comece a responder à luz. Quando a faixa "A" começa a subir, temos os valores chamados de sub-expostos, ou seja, quantidade de luz suficiente para fazer o filme reagir mas insuficiente para produzir imagens aproveitáveis. A faixa "B" é onde os valores são proporcionais, isto é, conforme o tempo de exposição aumenta, a densidade também aumenta na mesma razão, e esta é, na prática, a Latitude do filme. A faixa "C" é onde o aumento proporcional do enegrecimento da emulsão cessa, atingindo a saturação de sua capacidade de reter luz. É a faixa da superexposição. Está claro, portanto, que a exposição correta de uma foto deve manter-se ao máximo dentro da faixa "B", para que não se perca nenhum detalhe do assunto. Se o assunto for naturalmente pouco contrastado, a possibilidade de errar a exposição sem perda de qualidade, propositadamente ou não, é maior.
Por essa razão, também podemos definir Latitude como a capacidade que tem um filme de tolerar erros de exposição e ainda produzir imagens aceitáveis.
Como regra geral, os filmes mais sensíveis, e que portanto possuem grãos maiores, justamente por essa característica respondem com maior contraste à luz e tem naturalmente menor latitude. Já os filmes mais lentos, menos sensíveis, por terem grãos pequenos, têm maior capacidade de lidar com contrastes elevados e, portanto, maior latitude. Um exemplo de três tipos de latitude, grande, média e pequena:Aqui, trata-se de um filme rápido e contrastante, com pouca latitudeEste é o inverso do primeiro, um filme de pouco contraste e mais lento. Logo, sua faixa "B" é mais extensa, proporcionando maior latitude.Aqui temos um filme de padrões "normais": Contraste e Latitude equilibrados, com boa sensibilidade.
Densidade
Quando um filme é exposto, os grãos de prata enegrecem proporcionalmente (se a exposição estiver dentro da latitude) à quantidade de luz que recebem, deixando os objetos mais claros, mais negros na emulsão, e vice-versa, no caso do filme negativo. Assim, os grãos de prata que não foram expostos, referentes aos objetos mais escuros do assunto, apresentam-se no filme transparentes. No mesmo fotograma, tendo regiões onde a prata está mais escura e outras onde está tão clara que se apresenta transparente, imaginemos este fotograma negativo projetado numa parede como se fosse um "slide". Os pontos transparentes deixarão passar muito mais luz do que os pontos cinzas e negros, e essa maior ou menor capacidade de deixar passar luz é que chamamos DENSIDADE. Se o negativo deixa passar pouca luz, dizemos que ele é muito denso, e se deixa passar muita luz, transparente ou pouco denso.
A densidade é, portanto, uma medida diretamente relacionada à latitude, pois um negativo bem exposto tenderá a apresentar uma densidade geral alta, mesmo considerando os contrastes naturais do assunto.
As densidades em um negativo B/P são formadas por grãos microscópicos de prata metálica preta. A sua disposição ao acaso na gelatina da emulsão forma aglomerados desiguais dos grãos que reconhecemos visualmente ao ampliar bastante um negativo.
Contraste
Por fim, temos que o contraste nada mais é que uma denominação às diferenças de luz e sombra de um assunto qualquer. O contraste do assunto tem importância fundamental na fotometragem e, consequentemente, na exposição, pois a densidade do filme será a resposta a esta diferença de luz.
Quando temos dois elementos muito contrastantes num mesmo assunto, ou seja, um muito iluminado, e outro pouco iluminado, tal que os dois extremos não cabem dentro da curva característica (faixa "B") da emulsão, cabe à sensibilidade do fotógrafo optar pelo privilégio de um ou de outro, ou ainda da média entre ambos, correndo o risco de perder detalhes nas duas situações. Para obter a média entre os contrastes, basta se utilizar de um fotômetro de luz incidente ou luz refletida geral. Mas para especificar os pontos de exposição correta dentro do assunto, o fotógrafo deve optar pelo Spot Meter. Num caso muito extremo, é sempre bom que se confira com o Spot Meter a diferença de contraste, para que a opção do fotógrafo seja mais segura.
Mas o contraste não leva em conta apenas a luz refletida de um assunto, pois as emulsões fotográficas também registram de maneiras diversas estes contrastes. Os três gráficos acima expostos no item Latitude ilustram bem esta diferença: o primeiro, cuja curva sobe a 45 graus, é um filme naturalmente contrastante, ao passo que o segundo é um filme de contraste suave, privilegiando uma vasta gama de tonalidades cinzas intermediárias. É fundamental que o fotógrafo conheça a característica contrastante do filme para, em conjunto com o assunto oferecido, escolher a exposição correta.
A resposta do filme ao contraste do assunto também é alterada com a revelação; de maneira que fez-se necessária a padronização de uma medida de contraste. Esta medida é o "Gama".
Se a proporção entre o contraste do assunto e o contraste registrado pelo negativo é a mesma, convencionou-se dizer que Gama=1.
Entretanto, a medida ideal de proporção entre o contraste do assunto e o do filme não é gama=1, por causa das deficiências naturais da reprodução fotográfica. Os fabricantes, portanto, recomendam que o Gama ligeiramente menor que 1, como 0.80 ou 0.65, que se traduz num contraste pouco menor que o do assunto original.
Quando um fotógrafo deseja que a medida de Gama escolhida na exposição seja respeitada na ampliação, fotografa em uma das poses um cartão cinza (para filmes Preto-e-Branco), com as gradações de cinza com vários valores Gama. O laboratorista, munido do mesmo cartão, irá reproduzir o filme na mesma proporção que o exposto com base na densidade e nos contrastes do cartão. Existe um cartão similar para reprodução de cópias em cores.